Festa de aniversário, visita à casa dos avós, passeio no shopping… em todas essas situações, um elemento costuma aparecer: doces e alimentos ultraprocessados. Eles fazem parte da nossa cultura alimentar e estão cada vez mais presentes no dia a dia das famílias.
O desafio para os pais é equilibrar: como permitir que a criança experimente sem transformar o doce em vilão — e, ao mesmo tempo, sem deixá-lo virar rotina?
Neste artigo, vamos falar sobre como lidar com esses alimentos de forma equilibrada, sem demonizá-los, mas também sem deixar que tomem o lugar da comida de verdade.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, ultraprocessados são produtos prontos ou semiprontos que passam por várias etapas de processamento industrial, com adição de corantes, conservantes, aromatizantes e outros aditivos.
Alguns exemplos comuns:
Eles costumam ter excesso de açúcar, sal e gorduras e baixo valor nutricional, quando comparados a alimentos in natura ou minimamente processados.
O consumo frequente de ultraprocessados pode estar relacionado a:
Mas aqui está o ponto-chave: proibir radicalmente pode ser tão prejudicial quanto oferecer sem limites.
A ideia não é transformar doces e ultraprocessados em vilões proibidos, mas sim ensinar a criança a lidar com eles de forma equilibrada. Algumas estratégias podem ajudar:
Quando um alimento é totalmente vetado, ele ganha status de “tesouro”. A criança pode acabar desejando ainda mais e até escondendo quando comer.
Frases como “Se você comer o brócolis, ganha sobremesa” reforçam a ideia de que o doce é mais valioso que o alimento saudável.
As crianças aprendem observando. Se os pais consomem refrigerante todos os dias, será mais difícil transmitir a ideia de que é algo ocasional.
Reserve o consumo para ocasiões sociais, como festas, finais de semana ou passeios. Assim, eles não entram na rotina diária.
Se houver bolo no aniversário, tudo bem. No dia seguinte, priorize frutas, verduras e alimentos caseiros.
Converse com a criança sobre os efeitos dos alimentos no corpo de forma simples e educativa. Isso ajuda a construir consciência em vez de culpa.
Uma ideia interessante é envolver a criança no preparo de receitas caseiras. Por exemplo:
Dessa forma, ela aprende que é possível comer algo gostoso, mas mais nutritivo.
Se a criança apresenta um consumo muito frequente de ultraprocessados, recusa constante de alimentos frescos ou alterações no peso, pode ser hora de conversar com o pediatra ou nutricionista infantil. A ideia não é gerar culpa, mas buscar estratégias para ampliar a aceitação da comida de verdade.
Doces e ultraprocessados fazem parte da vida — e negar isso é irreal. O segredo está no equilíbrio, na oferta consciente e no exemplo da família. Quando não há proibição rígida, mas também não há consumo liberado, a criança aprende a se relacionar de forma saudável com todos os tipos de alimento.
Afinal, a alimentação não é só sobre nutrientes: é também sobre cultura, afeto e experiências em família.